16 de setembro de 2026

Feliz Aniversário! EMPAER Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural Governo de Mato Grosso pelos seus 62 anos atendendo a Agricultura Familiar

Há 62 anos, que a EMPAER-MT caminha ao lado do Agricultor Familia, levando conhecimento, inovação e oportunidades para o campo.

Uma história construída por pessoas que acreditam no desenvolvimento rural sustentável e em um Mato Grosso mais forte, produtivo e inclusivo.


Parabéns, EMPAER-MT, pelos 62 anos de dedicação ao nosso campo e à nossa gente!


EMPAER - MT, mais que do que assistência técnica, é gente que fazendo a diferença!



A Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer-MT) celebra  62 anos de história em setembro de 2026, consolidando-se como um pilar essencial para o fortalecimento da agricultura familiar e do desenvolvimento rural no estado de Mato Grosso.

Origem e História

·         Fundação e Fusão: A instituição atual foi criada em janeiro de 1992 por meio da união de três órgãos: a Emater, a Empresa de Pesquisa Agropecuária (Empa) e a Companhia de Desenvolvimento Agrícola (Codeagri).


·         Evolução Jurídica: Começou como sociedade de economia mista e transformou-se em empresa pública estadual vinculada à Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (SEAF). Suas raízes históricas na extensão rural mato-grossense completam mais de seis décadas de serviços prestados ao campo.

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Atuação e Estrutura

·         Presença no Estado: A Empaer conta com escritórios e unidades operativas distribuídas por centenas de municípios mato-grossenses para prestar atendimento direto ao homem e à mulher do campo.


·         Serviços Oferecidos: Executa assistência técnica contínua, pesquisa agropecuária aplicada, fomento à produção sustentável, orientação para acesso a crédito rural e apoio na regularização de agroindústrias de pequeno porte.


·         Impacto Social: Auxilia pequenos produtores em demandas técnicas de cultivos, criações e até em questões sociais, como orientação para documentação e políticas públicas de inclusão produtiva.

 Importância da  EMPAER – MT enquanto Instituição

·         Apoio ao Campo: Oferece assistência técnica essencial para Agricultura Familiar.


·         Pesquisa e Inovação: Desenvolve estudos voltados para a realidade agrícola de Mato Grosso.


·         Valorização dos Servidores: Reconhece o trabalho histórico de seus extensionistas e pesquisadores. 




Geraldo Lúcio fala sobre as Manifestações Culturais das Comunidades Quilombolas de Mato Grosso

As manifestações culturais das comunidades quilombolas de Mato Grosso expressam-se por meio de saberes tradicionais, festividades religiosas, práticas alimentares e expressões artísticas ligadas à ancestralidade e à resistência.

Principais Modos e Manifestações

·         Festas de Santo e Celebrações: Festividades como as de São Benedito e de São Gonçalo — muito fortes em comunidades rurais de municípios como Poconé — marcam a identidade e a devoção desses grupos.


·         Tradições Musicais e Danças: Roda de capoeira, maculelê, batuques e o envolvimento com expressões populares da cultura mato-grossense (como o siriri e o cururu, que contam com a tradicional viola-de-cocho) refletem a vivência comunitária.


·         Cultura Alimentar e Práticas de Cultivo: O manejo tradicional das roças, o extrativismo de produtos da sociobiodiversidade (como pequi, baru e bocaiuva) e a culinária ancestral funcionam como transmissão de saberes e demarcação de território, a exemplo da comunidade da Mutuca em Mata Cavalo (Nossa Senhora do Livramento).


·         Saberes de Cura e Memória Coletiva: Práticas de cura com raizeiros, rezadeiras e o cultivo da tradição oral mantêm viva a memória coletiva e a resistência simbólica do povo negro no estado

Geraldo Lúcio fala sobre a Agricultura Quilombola em Mato Grosso

A agricultura quilombola em Mato Grosso baseia-se em práticas tradicionais e ancestrais que unem o manejo sustentável do solo à conservação dos biomas locais, como o Cerrado.

Principais Modos e Práticas

·         Rodízio de Áreas (Pousio): As comunidades realizam a rotação dos locais de cultivo, permitindo que a terra descanse por cerca de cinco anos antes de retornar ao plantio na mesma área, o que evita a degradação do solo.


·         Mutirão ou Muxirum: O processo de plantio e colheita é visto de forma coletiva e festiva; os vizinhos se unem para ajudar nas roças uns dos outros de maneira colaborativa.


·         Policultura: Diversos alimentos são cultivados no mesmo espaço físico, otimizando a terra e garantindo a diversidade da produção.


·         Cultivos Ancestrais: Há o cultivo tradicional de espécies como mandioca, arroz, feijão, milho, abóbora, batata-doce e banana, voltados tanto para o consumo diário quanto para programas institucionais de alimentação.

Essas iniciativas, como as fomentadas pelo projeto Muxirum Quilombola, preservam os saberes passados de geração em geração.

Geraldo Lúcio fala sobre a Comunidades Quilombolas e suas Origens em Mato Grosso.

O que dizer das Origens quilombolas

São remanecentes e reflexos da escravidão que ainda estão vivos em várias partes do  Brasil.

Não há necessidade de se falar do tema  racismo, pois  ainda insistem em dizer que não existe.

A verdade é que uma herança  da escravidão ainda existe ainda no mundo inteiro isto é bem claro.

E no Brasil este sistema  vigorou até a nova constituição de 1988, quando a mesma assegurou diretos e deveres para o cidadão brasileiro, incluindo os negros, indígenas , brancos enfim raças e nações no Brasil, após mais de 130 anos de liberdade dos descendentes dos 3,5 milhões de homens e mulheres prisioneiros que vieram do continente africano.

O Território Remanescente de Comunidade Quilombola é uma conquista recente e para muitas comunidades, uma luta ainda em curso. 

Os remanescentes de quilombos já tem  reconhecimento junto a Fundação Palmares  sendo mais de  3.040 comunidades  e grande parte delas já recebeu também o cadastro do Incra garantindo seu direito à terra.

Para dar o atestado de  ancestralidade, a Fundação Palmares usa critérios de auto atribuição, o mesmo critério  adotado pela Convenção da OIT sobre Povos Indígenas e Tribais.

A gestão sustentável do território quilomvola é um desafio perene junto aos moradores e comunidade local

O turismo desenvolvido de forma sustentável e com o protagonismo da própria  comunidade local, pode ajudar na auto estima na apropriação e  promoção  da identidade quilombola.

As  tividades turísticas como turismo rural, ecoturismo, turismo com base comunitária e produção associada ao turismo, estão mandioca  dos produtos que  podem gera renda para determinada região ou localidade atendendo, além dos locais, o público visitante, como eventos culturais, a gastronomia e a venda de artesanatos.

 Esse é um dos benefícios que pode ser trazido por meio do turismo comunitário, inclusive nas comunidades quilombolas brasileiras.

A prática de turismo, que também chamada de etnoturismo quilombola ou mesmo etnoturismo de base comunitária, visa o desenvolvimento sustentável da  localidade região envolvida. 

É importante neste processo manter o estilo de vida local, respeitar a arte cultura e tradições. 

Por outro lado os turistas vão viver experimentar uma  imersão  presenciando o cotidiano daquelas pessoas, seus valores e práticas se integram àquele cenário, fazendo parte deste cotidianonpor algumas horas e dias. 

Será um processo de experiência  que irá  exigir  do visitante muita maturidade, respeito e estar pronto para um encontro mais profundo com a realidade do outro mundo, (quolombola).

O turismo  quolombola de forma comunitário com a participação de cada indivíduo,  pode contribuir com o fortalecimento do capital social na comunidade quilombola envolvida.

Nestes termos poderemos ter muitos avancos na economia e no social a medida da apropriação da  autogestão e compartilhamento entre as pessoas interessadas em se envolver na atividade turística.

Os  recursos financeiros no Turismo Quilombola podem ser  advindos das hospedagens em pousadas coletivas ou receptivos familiares, na  renda da produção associada ao turismo, (saberes e fazeres dos quilombolas), artesanato, agroindústria, manifestações culturais, doces, licores, cachaça, sucos, farinhas etc.

Atualmente cerca de 8,5 milhões de brasileiros vivem da produção artesanal, de acordo com um estudo do Banco do Nordeste, sendo responsável por 2,8% do PIB nacional. Segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (ABRASEL) e a Associação Brasileira de Empresas de Eventos (ABEOC), os setores correspondem a 2,7% e 4,32%, respectivamente.

Onturismo quilombola de firma comunitária é bom justamente por incentivar  o aproveitamento dos fazetes e saberes das  comunidades quilombolas e proporcionar a  se manterem sendo o que são, e gerando recursos para adquirir os bens que não produzem e arcarem com outros custos, inclusive de manejo sustentável das terras. 

O turismo movimenta a economia local e, consequentemente, de todo o país, atrai turistas nacionais e estrangeiros e tudo isso pode ser feito de maneira sustentável e ordenada, sem os grandes danos causados pelo turismo de massa – a começar pela experiência do próprio viajante.

No Brasil  já existem algumas comunidades quilombolas que se destacam por já estarem recebendo turistas de forma autônoma e com total protagonismo. 

No estado de Mato Grosso existem  um estudo da presença de cerca de 110 a 120 comunidade quilombolas distribuídas em 29 municípios, estão localizadas por todo território matogrossense.

A grande concentração das Comunidade Quilombolas de Mato Grosdo estão no município de Vila Bela da Santíssima Trindade, Poconé e Nossa Senhora do Livramento, sendo que estão em outros 26 municípios de forma menos concentrada.

O Turismo  Quilombola portanto já se apresenta em algumas municípios e comunidades a exemplo da Mutuca na Mata Cavalo em N.S. Livramento, Capão Verde,  Campina de Pedra em Poconé, na cidade de Vila Bela, Vão Grande em Barra dos Bugres dentre outras.

É necessário porém avançar no processo de formatação e estruturação dos projetos e produtores turísticos em Mato Grosso, embora Protagonismo deva ser dos moradores locais é necessário o apoio e contribuição do poder público e demais parceiros neste processo.

TEXTO e FOTO : Geraldo Donizeti Lucio da EMPAER/SEAF - MT

Geraldo Lucio faz um histórico resumido da Comunidade Quilombola Capão Verde em Poconé - Mato Grosso


Comunidade Quilombola Capão Verde. Por Geraldo Donizeti Lúcio - resgate de fotos e  relato do ano de 2020

Comunidade Quilombola Capão Verde, está localizada no município de Poconé no Estado de Mato Grosso a 116 quilômetros da capital Cuiabá, fica as margens da BR-070, no km 70, no sentido Cuiabá à Cáceres, no coração do Pantanal, numa imensidão de terras que se perde no horizonte de quem chega ao local. A localidade de Capão Verde possui esta denominação graças à verdejante vegetação obtida pela boa qualidade do solo que se espalha pela região oeste do Estado de Mato Grosso. 

Na Comunidade Quilombola Capão Verde residem cerca de 14 famílias, com uma população de 60 pessoas no total, que residem em suas casas próximas umas das outras para facilitar as relações sociais, a resolução de problemas e compartilhar o dia a dia, suas lavouras são feitas em área sempre de uso e ocupação em comum, isto não quer dizer que na maioria das vezes os trabalhos sejam comuns. 

O fato de residirem um próximo do outro, permite o compartilhamento das informações , pois é muito comum se saber se alguma pessoa está doente, se alguém foi na cidade de Várzea Grande, Livramento, Poconé, Cáceres ou Cuiabá, todas bem próxima da localidade, e se os amigos e parente realmente estão em casa ou na roça, está na roça, se as crianças já foram ou se já chegaram da escola. 

A ausência de cercas ou divisórias, permitem que as pessoas e até alguns animais possam transitarem com liberdade. 

No caso das lavouras acontece o mesmo, as roça são realizadas em uma área comum a todos, e pode ser construída de acordo com o local e do tamanho que a necessidade da família exigir, sem que isso seja um motivo de brigas ou conflitos entre eles. 

Alguns moradores da comunidade que não tem condição de fazer áreas maiores que um hectare de lavoura, esses fazem de acordo com as suas condições, mas em suma todos plantam e produzem. 

Os moradores do Capão Verde são os verdadeiros heróis da luta pela suas terras resistentes à colonização do homem branco, que os tratou com crueldade, desprezando sua cultura e sua humanidade, estes remanescentes de escravos, escapavam das senzalas e se refugiavam nas matas, construindo coletivamente locais protegidos chamados quilombos. 

Este fato faz com que, a manutenção dos costumes e a luta pelos seus direitos sejam tão forte para esses povos chamados de quilombolas . 

O processo de ocupação e uso de suas terras, não foi fácil e nem se deu em pouco tempo, primeiro a área foi transformada no projeto denominado de varredura, aí os moradores dessas comunidades ficaram com inadimplência, daí se transformou em assentamento a fim de poder estarem recebendo recursos do governo federal, que foi na época que saiu as construções das casas de alvenaria, daí depois veio o reconhecimento como quilombola, junto a Fundação Palmares e INCRA. 

Os quilombolas de Capão Verde, ainda guardam e veneram alguns costumes milenares, oriundos dos saberes compartilhados pelos fundadores da Comunidade como as festas de santo, a cura de doenças com ervas medicinais, a benzedura, o Muxirum e a Casa de Amparo. 

Estes costumes estão claramente associados e arraigados às realidades materiais e sociais da vida e do trabalho. 

Eles podem preservar a necessidade da ação coletiva, do ajuste coletivo de interesses, da expressão coletiva de sentimentos, emoções dentro do terreno e domínio dos que deles coparticipam, servindo com uma fronteira para excluir forasteiros. 

Com uma cultura do trabalho que brota da produção associada da vida, podemos destacar que eles privilegiam as decisões coletivas e democráticas, a igualdade, a transmissão geracional de saberes e fazeres sobre o trabalho e sobre a vida, a ajuda mútua, a ideologia de permanência na Comunidade e a resistência ao trabalho assalariado. 

A cultura do trabalho diz respeito aos códigos, padrões, normas, conhecimentos, saberes, fazeres, crenças, valores e criações materiais, instrumentos, métodos, técnicas, que regulam as ações e comportamentos humanos. 

Desse modo, os que não subsistiam somente dos produtos da roça, criaram uma associação chamada Agriverde - Associação dos Agricultores e Agricultoras Afrodescendentes da Comunidade Tradicional Capão Verde, para produzir, consumir e comercializar derivados de banana da terra e outros frutos do cerrado nativo e abundante na região como é o caso do Cubarú, também conhecido como Barú. 

Na região também tem a presença de outros frutos do cerrado como o Pequi, Jatobá e outras excessivas florestais de extrativismo como a sibipiruna, copaíba, palmáceas diversas, além de plantas fitoterápicas. 

Antes da constituição da Associação, já haviam algumas pessoas que produziam e comercializavam seus doces em calda, frutas e verduras in natura, aprenderam a pratica da lida na agricultura com os seus bisavôs, avos e pais, porém todos trabalham com a lavoura, viviam e vivem de suas lavouras de subsistência, e comercializam o excedente da produção. 

Contudo, com ajuda de projetos como, o da Eletronorte, Rede da Unisol Brasil, desenvolvido pelo PRONATUR e alguns voluntários como o caso específico do Sr. Felinto Ribeiro, um servidor aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, eles investiram os esforços e sonhos na produção e aperfeiçoamento do beneficiamento e comercialização da banana, transformando em Banana chips, bala de banana e farinha de banana. 

Neste processo eles queriam provar que os quilombolas analfabetos, excluídos, tem condição de fazer produtos de alta qualidade. 

O ecossistema cerrado é riquíssimo e eles queriam provar que não havia a necessidade de desmatar, usar a pratica das queimadas, e sim de se trabalhar, usando os recursos naturais existentes aliados a tecnologia adaptada, pois os frutos do cerrado protegido estariam disponíveis para o extrativismo. 

Outra leitura que atualmente eles tem com a consultoria e assessoria do PRONATUR no Projeto Redes é a de se ter um viveiro de mudas florestais e frutíferas para se replantar, reflorestar as áreas degradadas e sensíveis, usando para isto as crianças e jovens fazer mudas, plantar arvores que terão várias utilidades, reflorestar, sombrear e frutificar em se falando das arvores de extrativismo já citadas neste documento é possível se ter uma floresta produtiva; 

Outra leitura que eles tem feito é a de se ter criação de pequenos animais como galinha caipira, peixes, abelhas, sempre pensando na produção primária sem perder o foco da agregação de valores, pois a transformação da produção primária – agro industrializando é que que dará um maior poder de econômico para eles e que todas estas atividades são possíveis de serem implementadas. 

Na comunidade atualmente os resultados da venda dos produtos são divididos conforme a atuação na unidade de produção existente e os benefícios obtidos. 

O acompanhamento, consultoria e assessorias técnicas são realizadas através de parcerias com a UNISOL BRASIL, PRONATUR, FASE, SEBRAE, Governo do Estado e prefeitura de Poconé. 

A comunidade já vem ao longo dos anos, sendo beneficiada, como por exemplo, as casas de alvenaria, programas de aquisição de alimentos do governo – PANAE, PAA, PAB, feiras urbanas, Vendas e, eventos, telefone, sinal de internet, luz, água encanada, poços artesanais, cursos profissionalizantes, qualificação continuada, palestras segmentadas, dentre outros. 

Com o advento do fluxo e de entrada de pessoas estranhas junto à Comunidade, mesmo com o intuito de prestar ajuda, incitou a descrença e a não participação direta na Associação por parte de alguns de seus moradores, que não veem isto com bons olhos. 

Alguns moradores não acreditam muito, principalmente quando se trata da presença de políticos com promessas em época de campanha, ficam sempre desconfiados. 

Entretanto, todos reconhecem que a obstinação de alguns membros trouxe uma melhora na qualidade de vida da Comunidade. 

Mesmo assim, só se envolve na Associação quem tem habilidade e gosto pela produção e do processo de transformação nos derivados da banana. 

A cultura capitalista que prega o individualismo, a competição, o lucro e a exploração, mas em meio à um sistema capitalista os adultos permanecem firmes com os seus saberes e fazerem e estão sobrevivendo pois se estabelecem na contramão da lógica deste sistema 

Existe na comunidade uma população de idosos e que são fatores importante para a troca da experiências e manutenção da cultura, pois a maioria formada por jovens e crianças, necessitam de aprender com seus pais, avós e bisavós. 

Alguns produtos que não podem ser produzidos e ou confeccionados na comunidade, eles tem que comprá-los no mercado nas cidades próximas, neste caso eles ficam à mercê da capacidade usurpadora do grande capitalismo. 

É de conhecimento que o contato com a escola e com pessoas externas à Comunidade faz com que seus saberes e fazeres sejam confrontados e que muitos dos jovens da comunidade sejam seduzidos a abandonarem as suas famílias, potencializando o êxodo rural, dificultando a sucessão familiar e compondo as cabines de emprego em diversos setores da economia, quando não no segmento político. 

Existe porém uma geração que vem sendo amadurecida pelo tempo, estes são jovens, que lutam e relutam para não se tornem reféns do capital, querem resguardar a liberdade que o capital se apodera sem o menor pudor, querem mostrar para os seus antepassados e para sí mesmo que é possível com criatividade e com determinação ficar no meio rural e de lá fazer retirada de excedentes de produção


Fotos para relembrar de alguns trabalhos realizados na Comunidade Quilombola Capão Verde
QUILOMBOLAS DE CAPÃO VERDE EM PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO - O TURISMO RURAL SERÁ O PRÓXIMO PASSO PARA AGREGAÇÃO DE RENDA

Faixada da Fabrica de derivados da banana com a estampa dos apoiadores

Materia prima na recepção da fabrica


Depósito de banana


Mexendo o doce


Remexendo o doce


Mexendo e remexendo o doce


Mexedeira elétrica de doce de banana


Mexedeira manual


Mexendo e sendo observada


Doce na mão esquerda e banana onda (frita) na mão esquerda da Andreia


Andreia presidente da associação e batalhadora do projeto


Mexendo o doce manualmente


Momentos da Visita técnica na sexta feira na Comunidade Quilombola de Capão Verde - Poconé 

Geraldo Lucio fala sobre as principais iniciativas de Etnoturismo e Afroturismo de Base Comunitária em Territórios Quilombolas Rurais de Mato Grosso

As iniciativas de etnoturismo e afroturismo de base comunitária em territórios quilombolas de Mato Grosso têm ganhado grande relevância e estruturação nos últimos anos. 

Lideradas pelas próprias comunidades com o apoio de instituições como o Sebrae/MT, operadoras especializadas (como a Diaspora.Black) e órgãos estaduais, essas ações buscam preservar a cultura afrodescendente, fortalecer a identidade local e gerar renda sustentável diretamente para as famílias.

 *Principais Polos e Roteiros Quilombolas em Mato Grosso

As experiências são estruturadas sob o conceito de Turismo de Base Comunitária (TBC), onde o visitante não apenas "assiste", mas vivencia o cotidiano da comunidade.

·         *Quilombo Mata Cavalo (Nossa Senhora do Livramento):


o    O que oferece: Localizado a cerca de 51 km de Cuiabá, o território oferece um roteiro de vivência (com média de 10 horas de duração). Os visitantes mergulham na história de resistência do local, conhecem a produção de doces artesanais, a agricultura familiar e compartilham refeições baseadas na culinária tradicional quilombola.


·        * Comunidade Morrinhos (Poconé - Portal do Pantanal):


o    O que oferece: Integrada às ações de abertura para o turismo sustentável, o foco em Morrinhos é o protagonismo negro através da gastronomia quilombola e das festas tradicionais. O projeto capacitou os próprios moradores para atuarem como anfitriões e guias, transformando residências e quintais produtivos em pontos de recepção aos turistas.


·         *Apoio Institucional e Roteiros Integrados:


o    Eventos como a FIT Pantanal (Feira Internacional de Turismo do Pantanal) têm servido de vitrine para o lançamento de roteiros de vivência que integram a riqueza das comunidades quilombolas e dos povos originários do estado.

*Características e Objetivos das Iniciativas

Pilar

Como Funciona na Prática

Protagonismo e Autonomia

A própria comunidade define as regras de visitação, conduz as trilhas, prepara a alimentação e faz a gestão dos recursos financeiros gerados.


Geração de Renda contra o Êxodo Rural

O turismo surge como uma alternativa de trabalho para que jovens e adultos não precisem migrar para as cidades por falta de oportunidades.


Preservação Cultural

Histórias e saberes tradicionais passados de geração em geração ganham força, despertando o orgulho étnico e a valorização da ancestralidade.

Geraldo Lúcio falao sobre o etnoturismo quilombola (também chamado de turismo étnico-afro ou de base comunitária) - e onde acontece no Brasil

O etnoturismo quilombola (também chamado de turismo étnico-afro ou de base comunitária) é uma modalidade de viagem focada na imersão cultural dentro de comunidades remanescentes de quilombos. 

Diferente do turismo convencional, o objetivo principal não é apenas o lazer ou a contemplação da natureza, mas o contato direto com a história, a ancestralidade negra, as tradições e o modo de vida dessas populações.

Nesse modelo, os próprios quilombolas são os protagonistas e gestores da atividade, decidindo como receber os visitantes e quais saberes compartilhar.

💡 Principais Características e Como Funciona

·         Protagonismo Comunitário: Toda a cadeia produtiva (guias locais, cozinheiros, artesãos e hospedagem) é gerida pelos moradores. Isso evita intermediários e garante que a narrativa histórica seja contada por quem a vive.


·         Imersão Cotidiana: Os turistas costumam hospedar-se na própria comunidade (ou em pousadas comunitárias), tomam café com os moradores, ouvem as histórias dos anciãos e participam das atividades diárias.


·         Produção Associada ao Turismo: A economia local gira em torno da venda de artesanatos, produtos agrícolas orgânicos, apresentações de danças tradicionais (como o jongo ou o batuque) e festivais religiosos.

🛠️ Benefícios para os Territórios Quilombolas

1.    Geração de Renda Sustentável: Funciona como uma alternativa econômica que complementa a agricultura de subsistência, criando empregos e diminuindo o êxodo rural, especialmente entre os jovens.


2.    Preservação e Valorização Cultural: Estimula o resgate de memórias, rituais e costumes que poderiam se perder com o tempo, fortalecendo o orgulho e a identidade local.


3.    Fortalecimento Político e Territorial: O turismo atrai visibilidade para os quilombos, o que ajuda na luta pela regularização fundiária, proteção das terras e conservação ambiental das áreas ocupadas.


4.    Educação e Combate ao Preconceito: Desconstrói estereótipos históricos e educa a sociedade sobre o papel fundamental dos quilombos na resistência contra a escravidão e na formação do Brasil.

🌍 Exemplos de Destaque no Brasil

O etnoturismo quilombola está em expansão por várias regiões do país, com destaque para:

·         Quilombo Kalunga (Goiás): Localizado na Chapada dos Veadeiros, é o maior território quilombola do Brasil. Além das famosas cachoeiras (como a Santa Bárbara), a comunidade do Engenho II oferece vivências focadas na gastronomia caseira e nos saberes ancestrais da medicina natural.


·         Quilombo do Campinho da Independência (Paraty - RJ): Um dos pioneiros no turismo de base comunitária. Oferece roteiros com contação de histórias, trilhas ecológicas, oficinas de artesanato de fita de taboa e um restaurante de culinária afro-brasileira gerido pela comunidade.


·         Comunidades Quilombolas no Jalapão (Tocantins): Povoados como Mumbuca e Prata recebem turistas que buscam conhecer a produção do artesanato em capim dourado e a viola de buriti, símbolos da identidade tocantinense.